22 de agosto de 2010

Os Mercenários do Stallone

Eu não fui criado apreciando belas obras cinematográficas como os filmes do Almodóvar, não sou fanático pelo Bertolucci, não me ligo em filmes franceses (até hoje só vi Amelie Poulain) e nunca na vida assisti a um filme iraniano. Cresci vendo filmes de ação e fui doutrinado na escola da voadora e dos dois pés no peito. Sim, estou falando de como passei minha doce e saudosa infância e de como o cinema de ação (sobretudo o Brucutu) marcou minha vida.

Já comentei aqui sobre minha expectativa para ver aquele que eu esperava ser o melhor filme de ação do ano, Os Mercenários de Sylvester Stallone, e como a maioria da galera que eu conheço (os machões principalmente) estava empolgada com a ideia da reunião dos maiores ícones do cinema porradaria num mesmo filme. As expectativas estavam lá em cima, uma vez que algo desse gênero jamais havia acontecido, e seria uma espécie de celebração pelos anos dourados (fim dos anos 80 e início dos 90), onde os maiores nomes do cinema ainda eram Schwarzenegger, Stallone e Van Damme. Da expectativa para a realidade há uma grande diferença, mas há compensações.

O cinema não estava tão cheio, e na sala havia um público variado de jovens (provavelmente assim como eu, fã dos brucutus), senhores e até mesmo meninas (uns 3% que não devem curtir muito Vampiros Cintilantes e 97% que deveriam estar ali só acompanhando os namorados). Havia uma certa empolgação na fila antes da entrada, porém ela era discreta. Não era nada como se vê em grandes produções que saem em cartaz, mas também não era aquele clima “não estou esperando nada desse filme”. Acho que todo mundo ali aguardava para ver um grande filme.


Os Mercenários não é brilhante e tampouco inteligente. Tem um roteiro fechado de fácil digestão. Fácil até demais, tanto que dá a sensação de já se ter visto aquilo pelo menos umas 10 vezes antes. Ditadorzinho de um país de Terceiro Mundo subdesenvolvido (lembram que metade das filmagens aconteceram no Brasil??) trata a população como lixo e se beneficia disso. Mocinha é seqüestrada fazendo o mocinho ir resgatá-la nem que pra isso ele tenha que botar o país inteiro abaixo. Tiroteio, o vilão morre. Fim. Já viu isso em algum lugar? Eu já.
As atuações chegam a ser torturantes às vezes, pra não dizer sofríveis, salvo Jason Statham, que é o segundo nome mais importante do filme e o grande parceiro do personagem de Stallone, Mickey Rourke (que já tinha dado show em Homem de Ferro 2), Terry Crews e Erick Roberts, que outra vez é vilão. Statham, apesar de porradeiro, se sai melhor que os colegas no quesito interpretação, mas sozinho não salva o filme. Stallone até tenta fazer algumas caras e bocas, tenta fazer algumas expressões faciais e até tenta emocionar (indo quase às lágrimas numa determinada cena com Rourke), mas ainda assim é algo longe do que ele consegue em Rocky, no auge de sua carreira. Não sei se por causa do seu personagem ser meio ogro (bem, todos ali são, mas nesse caso mais ogro), Dolph Lundgren por vezes parece meio retardado (ou drogado) em cena e sua interpretação se assemelha muito ao que ele conseguiu em Soldado Universal, ao lado de Jean Claude Van Damme. Ao menos lá, ele estava interpretando uma espécie de morto-vivo sem emoções...
Jet Li, que embora tenha participado de grandes produções como Herói e A Múmia 3 – A Tumba do Imperador Dragão, ainda tem dificuldades de interpretação, seja por seu inglês com sotaque ou pelo talento reduzido. Em Cão de Briga, que é um filme de mais tensão emocional do que seus outros filmes, por exemplo, ele se saiu bem melhor.
Randy Couture que é um lutador de MMA além de ator (?) não compromete no papel, até por ser um dos de menor destaque no quesito interpretação (ele quase não fala no filme). Terry “Pai do Chris” Crews, no entanto, junto com Statham é um dos que fazem a diferença em cena e mesmo não sendo tão engraçado como estamos acostumados (Todo Mundo Odeia o Chris, As Branquelas...) rouba a cena em alguns momentos-chave da película. Mickey Rourke que interpreta um ex-mercenário que busca a redenção pelos seus atos parece ser o único realmente gabaritado para o papel, e faz o que já havia conseguido fazer no filme O Lutador, emocionar.
Gisele Itié, mais uma brasileira (meio mexicana) a entrar no mercado internacional aparece o filme todo e é a motivação para que as ações heróicas do filme aconteçam. Seu inglês parece meio decorado demais o tempo todo, mas ela não atua mal fazendo seu papel de donzela em perigo. Na história ela é filha do ditador que se alia ao personagem de Erick Roberts, e é seqüestrada para delatar o real motivo da breve excursão dos Mercenários em seu país.
É natural se exigir sempre boas atuações num filme que você está pagando para ver, mas falar de interpretações num filme que foi vendido para ser nitroglicerina pura é sacanagem!

Por alguns momentos, confortável lá em minha poltrona, degustando a minha pipoquinha, pensei estar vendo um filme do Michael Bay de tantas explosões que haviam por segundo de fita. Sério! É inacreditável o quanto eles explodem de coisas durante o filme todo. Deu até para imaginar os brasileiros aplaudindo em volta do set a cada detonação! “Viva!” “Manda ver, Stallone!” “Explode tudo!”
OK, não dava para esperar um filme cabeça com essa quantidade de atores porradeiros envolvidos, mas isso torna Os Mercenários um filme ruim? De jeito nenhum. Eu gostei muito do filme. Desliguei meu cérebro durante duas horas e vibrei a cada combate e a cada perseguição. Curti muito o encontro dos três pesos pesados na tão comentada cena que aparece nos traillers, onde Stallone e Schwarzenegger são convocados por Bruce Willis (o agente Church da CIA) para a missão de ir lá no país de Terceiro Mundo e eliminar o ex-agente da CIA que comandava o cartel de drogas.

O diálogo entre eles é breve, porém inesquecível. Rola até uma zoação sobre os quilos a mais do Governador da Califórnia e sobre a inteligência do personagem de Stallone. “Você devia ler mais!”. A cena não deve durar mais do que 5 minutos, mas é com certeza uma das mais memoráveis. A intimação que Church faz no final para o personagem de Stallone também é de arrepiar, e deixa o público imaginando uma sequencia em que ambos se confrontam. Seria foda demais!

Já vi muito filme de ação, mas o grau de violência de os Mercenários atinge os picos mais altos com certeza. É importante notar a quantidade de soldados buchas (aqueles que só aparecem para morrer) que se proliferam do nada enquanto os protagonistas se deleitam esfaqueando, atirando e socando. Statham é o especialista em facas, Jet Li o cara do kung fu (embora ele utilize pouco no filme), Couture a força bruta (seus golpes de MMA são excelentes) e Crews o detonador. Sobraria para Stallone a parte do cérebro da equipe, mas não vamos exagerar!
Podemos acusar Stallone de tudo, menos de ter uma sensibilidade ótima para o que o público quer ver. As cenas de ação são de tirar o fôlego, as lutas são grosseiras e espetaculares, e não deixa nada a desejar a quem está ali justamente para isso: ver muito sangue e dilacerações. Esse papel o filme cumpriu e bem.
Nota: 8

Seja lá qual for o sucesso do boicote que alguns brasileiros chegaram a veicular na Internet que seria feito ao filme por aqui, ou qual seja o resultado das bilheterias em todo o mundo, a sequencia para esse filme é quase uma certeza e esperamos uma dose maior ainda de testosterona caso os nomes sugeridos desde o primeiro sejam inseridos num novo projeto. Ver Van Damme, Steven Seagal (embora eu não goste dele), Chucky Norris (se ele estiver vivo até lá) ou talvez Wesley Snipes, Vin Diesel e The Rock junto com a galera do primeiro filme ia ser algo sobrenatural. Quem sabe os egos se acalmem até lá e esses atores (a maioria em péssima fase) percebam que eles estarão fazendo história e proporcionando um espetáculo para um público, que embora cada vez menor, ainda se mantém fiel aos bons e velhos filmes de ação estilo anos 80.

Que venha Os Mercenários 2, e que o Brasil aprenda que a imagem que temos lá fora é a imagem que nós mesmo construímos aqui, a de um país em que tudo é liberado, onde só se pensa em Carnaval e em futebol e que o povo morre de fome enquanto assiste a Copa do Mundo e seus milhões gastos a toa. Se podemos adorar esses pernas de pau que se vendem para entregar um campeonato de futebol, porque não adorar Stallone e sua trupe? Mercenário por mercenário ainda prefiro ir ao cinema e me divertir nem que seja por duas horas.

Nota: O filme é do caramba, mas no Metrô na viagem de volta já tinha me esquecido da maioria das cenas.

Nota 2: No trailler antes do filme foi exibido Tropa de Elite 2, filme nacional que mostra a realidade da violência no Rio de Janeiro, algo pelo qual a maioria dos governantes fecha os olhos, preferindo o Carnaval e o futebol. Essa é nossa realidade.
NAMASTE!

12 de agosto de 2010

Batman contra o Capuz Vermelho

Há algum tempo atrás, uns três anos no máximo, comecei a ouvir boatos de que Jason Todd, o segundo Robin a assumir o cargo, iria retornar dos mortos de forma misteriosa.

O que? Você não sabia que o Robin já havia morrido? Pois é. Aconteceu na saga “Morte em Família”, título que ainda falta na minha coleção, mas do qual já li vários artigos relacionados.

O retorno de Todd que ocorreu num passado não muito longínquo é retratado de forma bem similar ao da HQ no longa animado Batman contra o Capuz Vermelho, onde o antigo menino prodígio (ou rodízio, como diria o Coringa) volta da tumba na pele do misterioso Capuz Vermelho, um bandidão que almeja controlar o crime organizado de Gotham City utilizando meios bem persuasivos.

Gostei muito do clima do filme e do enredo, só que dessa vez devo comentar que a animação deixou um pouco a desejar em relação a outros longas animados recentes como Crise nas Duas Terras (que eu já fiz o Review aqui), Mulher Maravilha e do Lanterna Verde: Primeiro voo. A movimentação dos desenhos acontece de forma meio apressada e desajeitada, o que prejudica um pouco durante as cenas de ação. Assim como vem acontecendo nos últimos filmes da DC como Superman/Batman Inimigos Públicos e no ainda inédito Superman/Batman Apocalypse, os desenhos de Batman contra o Capuz Vermelho são inspirados nos traços do desenhista da obra original, nesse caso os do artista Doug Mahnke, que rabiscou a HQ que mostrou a ascensão de Jason Todd. De qualquer forma, exceto esse pequeno probleminha técnico de movimentação, a animação é bem empolgante, sendo seu forte os diálogos afiados, em vez das cenas de ação.

Na versão original, Bruce Greenwood emprestou sua voz ao Batman, enquanto Jensen Ackles (um dos irmãos Winchester da série Supernatural) dubla Jason Todd. No Brasil, Mauro Ramos, conhecidíssimo por dublar o Pumba, o Shrek, o Sulley de Monstros SA e a maioria dos personagens grandalhões do cinema, recebeu a missão de dublar o Coringa, e se saiu muito bem, como sempre. Já o outro vilão da história, o Máscara Negra foi dublado pelo lendário Isaac Bardavid, que no passado já dublou o Esqueleto do He-Man e é mais conhecido por dublar o Wolverine tanto na primeira série animada dos X-Men quanto nos filmes. Sua interpretação pessoal deixou o Máscara Negra ainda mais engraçado, uma vez que ele apesar de mal, é um dos alívios cômicos do desenho. Por alguns momentos pude me lembrar daqueles chiliques que o Esqueleto dava sempre quando He-Man estragava seus planos, e a voz de Bardavid é inconfundível, combinando bem com a cara cadavérica do Máscara Negra. Nota 10 para a dublagem.


Para escrever esse post tive que dar uma revirada nas minhas HQs do Batman da época do retorno de Jason Todd e notei algumas diferenças em relação ao longa animado, o que sempre ocorre numa adaptação. Nunca essa transição do papel para a tela acontece de forma 100% fiel. As alterações amenizam um pouco a carga dramática que envolve o que o próprio Batman considera como sua maior falha, e quando ele se vê assombrado por fantasmas do passado ele começa a questionar sua verdadeira culpa em relação à morte do Robin pelas mãos do Coringa.

Nas HQs, sempre que um personagem volta da morte sem que isso seja tratado de forma competente pelo roteirista, é quase como se as editoras de quadrinhos estivessem carimbando “idiota” em nossas testas. Dificilmente eu vi uma ressurreição feita com tanto cuidado como Ed Brubaker fez com o Bucky, nas histórias do Capitão América. Ele trouxe de volta o personagem, que teoricamente teria morrido na época da 2 ª Guerra, de forma gradativa e adicionou uma porção de retcons (eventos inseridos posteriormente na cronologia) à história do Capitão para que isso fizesse sentido. E fez. No caso de Jason Todd, o trouxeram de volta quase que como num “passe de mágica” (mais ou menos como apagaram mais de 20 anos da história do Homem Aranha também). Jason foi trazido de volta à vida, seis meses após sua morte (na cronologia normal) quando o Superboy da Terra Prime (na teoria, a primeira Terra, onde os super-heróis não existem de verdade) golpeou as “paredes da realidade” para que ele pudesse escapar de sua prisão. Isso acarretou uma “onda” de acontecimentos em nosso mundo, o que acabou ocasionando a ressurreição de Todd.
Faz algum sentido pra você? Pra mim também não. Foi uma das desculpas mais fracas do qual já ouvi falar para trazer de volta um personagem, porém serviu para gerar ótimas histórias com um enredo bastante intrigante: O que o Batman faria se sua maior falha retornasse para tocar-lhe a ferida? Na animação, quem o traz de volta à vida é um dos Poços de Lázaro de Ra’s Al Ghul, que o vilão usa para rejuvenescer. Jason não só é trazido à vida como também se torna mais vigoroso, e após escapar começa sua peregrinação para se tornar o Capuz Vermelho. Desfecho digno para um início pífio.

Enquanto para o Batman a dor de sua perda é seu maior problema, para Jason a questão é mais profunda: Por que Batman jamais se vingou daquele que o matou? Por que ele deixou o Coringa vivo, permitindo que ele continuasse sua onda de crimes, escapando do Arkham a toda hora e manchando Gotham de sangue? Por que Batman jamais eliminou aquele que matou o Robin?

Esse questionamento torna Jason um adversário de seu mestre, levando o garoto a combater o crime da sua maneira. Por que destruir o crime se é mais fácil controlá-lo? Dessa forma, assumindo o manto do Capuz Vermelho, Todd passa a dominar o submundo tomando-lhe de assalto e deixando a maioria dos criminosos da cidade de olho em suas ações, e preocupados com elas. O Máscara Negra é o primeiro a ser atingido pessoalmente quando seu comando do crime começa a ser ameaçado, e ele tenta de tudo para se livrar de seu inimigo incluindo contratar vilões superpoderosos (na HQ ele usa o Mr. Freeze). No entanto, fica claro que só o Batman pode enfrentar o habilidoso Capuz Vermelho e é interessante notar que ele acaba se tornando uma versão mais jovem e melhorada de Bruce Wayne, tendo inclusive, treinado ao redor do mundo durante os anos em que esteve desaparecido, assim como seu mentor. Jason acaba por vezes superando Batman em combate, mas isso fica claro que é por causa do abalo emocional que o Homem Morcego sofre quando percebe que seu oponente é o Robin que ele deixou morrer.

A mim agrada muito a ideia de ver Batman enfrentando alguém que conhece seus truques e que ele mesmo ensinou, acabando um pouco com essa "pose de invencível" que ele tem. O que aconteceria se o Asa Noturna ou o Robin Tim Drake se voltassem contra ele? O Resultado seria parecido. De tempos em tempos surge uma versão “melhorada” de algum herói, mas no final, sempre o original prevalece, se mostrando com mais escrúpulos do que seu predecessor. No caso de Jason, ele mesmo admite que é um Batman melhor que Wayne por não ter tanto pudor em matar em nome do que ele acha certo, mas por fim, o heroísmo prevalece. O final da história na animação também é alterado e se torna menos dramático que o original. Batman é confrontado diretamente, é questionado de o porquê deixou o Coringa vivo mesmo depois de tudo que ele fez, e sempre aquele código de honra vem à tona: Se o Batman o matasse, ele se igualaria a seu inimigo, e isso não o tornaria melhor e sim pior. Matar o Coringa em vez de entregá-lo à justiça mancharia aquilo que o Batman representa, e ele jamais conseguiria conviver com isso. Para Jason, no entanto, essa atitude o torna fraco, e prova que o Batman não tem coragem de vencer seus limites para vingar nem mesmo um filho morto.


Tenso, não é mesmo?

No desenho vemos um resumão da história toda, temos a presença do ex-Robin Asa Noturna ajudando Batman contra o andróide Amazo (como na HQ), temos o envolvimento de Ra's Al Ghul no ressurgimento de Todd, temos o Coringa intermediando o momento de tensão entre Wayne e Todd e temos também o Alfred, com a mesma dublagem do desenho animado do Batman da década de 90. Tudo isso culmina no final que é alterado para se tornar menos chocante (eu mesmo discordei da atitude que Batman tem nas HQs ao ter que decidir entre Jason e o Coringa), mas nada que afete a animação. Judd Winick, o roteirista da HQ foi muito feliz ao criar essa narrativa envolvendo Jason Todd, mas a forma como ele foi trazido de volta e o que ele se tornou depois do confronto com o Batman deixou bastante a desejar. Foi mais ou menos o que aconteceu com o Bane no Batman e com o Apocalypse no Superman: Dois vilões que vieram com tudo, destruíram seus adversários, mas que atualmente não passam de figurantes sem brilho. Assim como os personagens citados, Jason Todd só funcionou com esse propósito, o de ser um desafio à altura para o protagonista, mas esticar sua participação na trama torna seu conceito inicial bastante desgastado. Pena que os produtores de quadrinhos não ligam muito para isso.

Batman contra o Capuz Vermelho é uma ótima opção de divertimento, e pra quem não está muito ligado no que acontece na HQ tudo é bem mastigado durante uma hora e meia, só que como eu disse, de forma diferente à sua origem.

Nota: 8


NAMASTE!

4 de agosto de 2010

Super Herói Preguiçoso

Sabem aqueles dias que você não está muito a fim de ter responsalidades?

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Grandes poderes trazem grandes responsabilidades... Que saco!!



NAMASTE!

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