31 de dezembro de 2014

Review - Arrow - Mid-Season Terceira Temporada


Os primeiros 9 episódios da Terceira temporada de Arrow serviram para nos mostrar que a série perdeu um pouco do fôlego quando tirou de foco Slade Wilson, o grande inimigo de Oliver Queen (Stephen Amell) da segunda temporada. Todo aquele lance de “eu sei sua identidade secreta e vou transformar sua vida num inferno” funcionou muito bem para manter a tensão ao longo dos 23 episódios da temporada anterior, o que infelizmente não tem acontecido na terceira.

Em primeiro lugar, tirar Oliver da ilha nos flashbacks foi uma decisão acertada, já que ninguém acreditaria que ele aprendeu todas suas técnicas de combate, de investigação e de espionagem preso durante cinco anos em uma ilha deserta, mas nada disso explica porque resolveram deixar essas passagens da vida do herdeiro da família Queen tão chatas! Os momentos de Oliver em Hong Kong servindo de agente secreto para a ARGUS da Amanda Waller  (Cynthia Addai-Robinson) ao lado de um agente japonês (!!) chamado Maseo Tamashiro (Karl Yune) já figuram no ranking dos mais sacais de toda a série, e isso porque nem mencionei o fato dele querer ser um agente infiltrado na China! 

Não, sério! Um cara loiro de olhos claros quer passar incólume no meio de um bando de chineses?? Sério isso?


Tudo bem que esse flashback quer nos mostrar que Oliver teve outro tipo de treinamento além do arco e flecha que aprendeu com a Shado e seu pai na ilha, mas a interação dele com seus anfitriões japoneses não empolga, muito menos suas missões para Waller, que sem razão nenhuma resolve “contratar” Oliver como agente devido seus “talentos especiais”.

Mas Rodman, a Amanda só quer usar o Oliver como um de seus “dispensáveis”, já que tecnicamente ele está morto para o mundo. Não seja burro!

Ok, mas nada disso deixa essas cenas de flashbacks mais emocionantes!

Se você ainda não viu a Terceira Temporada e pretende se livrar de SPOILERS desagradáveis, por favor, clique no X no canto superior direito da sua tela à partir de agora.


COMO ASSIM MATARAM A SARA LANCE LOGO NO PRIMEIRO EPISÓDIO???

Quem já acompanhou meus posts anteriores sobre Arrow (aqui sobre a primeira temporada e aqui sobre a segunda) deve saber que Sara Lance (Caity Lotz) é a musa máxima da série, mesmo disputando ombro a ombro com a Caçadora, que é outra tetéia, e por isso, fica aqui o meu protesto escrito pelo que aconteceu a ela na série. A personagem é eliminada misteriosamente ao final do primeiro episódio da Terceira Temporada, caindo morta aos pés de sua irmã Laurel (ou LaurelZzzzzzz, para alguns!) após ser flechada no peito. Os episódios seguintes são dedicados a Oliver e sua equipe investigarem quem Diabos conseguiu assassinar uma agente treinada pela própria Liga dos Assassinos (ou das Sombras, eu nunca lembro) do próprio Ra’s Al Ghul, e claro, rola muita emoção e lágrimas na despedida da personagem que protagonizava algumas das melhores cenas de ação da série toda (a atriz Caity Lotz era MESMO treinada em artes marciais).


O sumiço de Sara logo chama a atenção de Nyssa Al Ghul (Katrina Law), a filha do Cabeça de Demônio, uma vez que a missão de Sara para a Liga em Starling City era investigar o súbito reaparecimento dos mortos de Malcolm Merlyn (John Barrowman), que vimos vivinho da Silva salvando sua filha Thea (Willa Holland) das garras de soldados mirakuru de Slade Wilson no final da segunda temporada. Em busca da sua amada (sim, elas se pegavam!) Nyssa vai parar no esconderijo do Arrow, e descobre que Sara foi morta por uma arqueiro misterioso. O plot da terceira temporada todo se desenvolve à partir da morte da Sara e de sua relação com Oliver e com a Liga de Ra’s Al Ghul.


Por falar no inimigo do Batman...

Que decepção quando ele deu as caras e NÃO ERA o Liam Neeson!


Faria muito sentido usarem Neeson como Ra’s, uma vez que Arrow tem MUITA influência do universo dark desenvolvido para o cinema por Christopher Nolan para o Batman. Discorda de mim?

É só comparar o Arqueiro Verde de Smallville com o de Arrow. São dois personagens completamente diferentes. Um que figura bem no universo colorido do Superman e outro que combina mais com a sujeira e escuridão do Batman.

Mas enfim. Talvez o cachê do velhinho porradeiro tivesse alto demais para uma série de TV sustentar, mas o fato é que não fui muito com os cornos desse Ra’s Al Ghul vivido pelo ator australiano Matthew Nable, embora ele tenha ajudado a criar um momento épico da série até aqui no episódio 9! PAM PAM PAAAAAM! (Já, já falo sobre isso).


Uma das grandes novidades de Arrow Season 3 foi mesmo a aquisição de Brandon Routh para o elenco, esse talentosíssimo ator que já prestou seu grandioso talento para viver o Superman em Superman Returns e...

BWAHAHAH-HAHAHHA!

Desculpe, gente, nem eu aguentei escrever essa mentira.

Routh ficou marcado e estigmatizado por ter vivido o péssimo Superman dirigido por Bryan Synger, e embora hoje ele tente provar que é um ator melhor e mais versátil, é difícil se livrar completamente da sua imagem de boneco de cera. Na pele de Ray Palmer, que nas HQs além do cientista é também o super-herói Eléktron (ATOM em inglês), Routh até tem se esforçado para deixar seu personagem carismático, em especial nas cenas em que divide espaço com Emilly Bett Rickards, a Felicity, mas não adianta. O Cigano Igor que há nele não cede espaço tão facilmente. Quando ele quer passar credibilidade, ele arregala os olhos, como se tivesse chapado, e em casa assistindo a gente não sabe se ele está se esforçando para lembrar do texto ou se essa é sua expressão de “eu sei o que estou fazendo”!


Independente do talento (ou a falta de) do ator, Palmer entra em cena para adquirir as Consolidações Queen de Oliver, que após os fatos desenrolados na segunda temporada, entra em crise e à venda. Deixando Oliver falido e com apenas seu esconderijo como patrimônio, Palmer assume a empresa, contrata Felicity por seus talentos incomparáveis em tecnologia, e com sua ajuda começa a expandir seus negócios para a área de ciências avançadas. Só faltou aparecer o Lucius Fox!


Em uma ocasião, Palmer mostra a holografia para o que vai ser o exoesqueleto do Eléktron, e pelo visto, da segunda metade do seriado para frente, o personagem deve mesmo assumir seu caráter heroico e fazer parte da ação, uma vez que ele já confessou para Felicity que já se sentiu indefeso durante a invasão de Slade Wilson a Starling, e que gostaria de poder fazer mais para defender a cidade. Aguardemos!


Nos 9 episódios iniciais da terceira temporada com certeza os encontros com o Flash/Barry Allen (Grant Gustin) foi o que mais movimentou a série, embora pra mim, isso não tenha acrescentado nada ao personagem Arrow. Em primeiro lugar, a disparidade entre as habilidades entre os dois se torna gritante quando medidas, vemos o Arqueiro como o grande badass motherfucker em sua série, mas quando o Flash entra em ação, ele se torna “apenas um cara segurando um arco”, perdendo totalmente seu valor como herói. Como acontece nos quadrinhos em encontros entre o Superman e o Batman, por exemplo, o roteirista tem sempre que dar uma forçada para que o personagem mais fraco no mínimo consiga rivalizar com o mais poderoso, e essas forçadas às vezes são vergonhosas. 


Assim como o Batman dar uma porrada no Superman sem quebrar todos os ossos da mão, vemos o Arqueiro querendo sair na porrada com o Flash, que apesar de ainda não possuir a velocidade da luz (na série ele só atinge a velocidade próxima do som) ele é o homem mais rápido do mundo. Não dá pra sair no braço com um cara que pode antecipar qualquer movimento seu, quanto mais querer acertar uma flecha nele, ou um dardo, ou duas flechas nas costas!

Os princípios de Oliver e sua experiência no combate ao crime acabam sendo o foco do crossover entre as duas séries, uma vez que fica claro que apesar de ser muito mais poderoso, Barry Allen não passa de um garoto tentando combater o crime, sem técnica ou qualquer habilidade física além da supervelocidade. Pra quem estava torcendo para o Oliver no confronto entre os dois, fica pelo menos esse alento.


Vale ressaltar algumas participações que o começo da terceira temporada teve além das de Amanda Waller, Ra’s Al Ghul e do Flash. No segundo episódio quem deu as caras, confundido com o assassino de Sara Lance foi o vilão Komodo (Simon Lacroix, vivido pelo ator Matt Ward). Nos quadrinhos, em especial em sua versão Novos 52, o Komodo trabalhava para o pai de Oliver, e pra variar, é um especialista em... Arco e flecha.
Outra que também usa arco e flecha (o que nos faz pensar que Starling City deve ser a cidade com o maior número de praticantes dessa modalidade por habitante do UNIVERSO!) foi a Cupido, uma ex-policial pirada que se torna obcecada por Oliver depois que é salva por ele durante a invasão dos soldados mirakuru a cidade. 


Interpretada pela linda atriz Amy Gumenick, a Cupido dá trabalho para Oliver quando decide infernizar a vida do cara em busca de um amor não correspondido. No final do episódio, Carrie Cutter acaba sendo jogada no Esquadrão Suicida de Amanda Waller, através do ARGUS. Outra que deu as caras foi a atriz Rila Fukushima, que interpreta Tatsu Yamashiro (a Katana das HQs), esposa de Maseo, o agente da ARGUS que auxilia Oliver em Hong Kong. Como disse anteriormente, as participações do casal interagindo com Oliver são muito chatas, e a única coisa interessante é o que acontece no último episódio, quando a China White (Kelly Hu) entra em conflito com Tatsu numa briga louca de aranhas espadas com um resultado surpreendente. Sabem o que isso significa?


Como não??

Lady Letal (X-Men 2) e Yukio (Wolverine Imortal), ambas personagens próximas a Wolverine saindo na porrada!!!

Tá, ok. Isso não quer dizer nada.


As participações de pequenos personagens dos quadrinhos não param por aí. No episódio 3, enquanto Oliver viaja para Corto Maltese atrás da irmã Thea (que foi embora com seu “pai” Malcolm Merlyn), John Diggle (David Ramsey), à serviço do ARGUS e da esposa, tenta localizar um agente chamado Mark Shaw (David Cubitt). Nos quadrinhos, Shaw era a identidade por trás do Caçador, personagem muito popular nas histórias do Xeque Mate e do Esquadrão Suicida nos anos 80. 


A participação mais significativa da série, no entanto, fica a cargo de Ted Grant, o lutador de boxe veterano que nas HQs, autodenominado “Pantera” fica responsável pelo treinamento da segunda Canário Negro. Vivido por J. R. Ramirez, o Pantera já é figura recorrente na série, uma vez que assim como nos quadrinhos, ele decide treinar Laurel Lance (Katie Cassidy) quando esta fica devastada pela morte impune de sua irmã. Tudo bem que Laurel não convence ninguém de que é capaz de assumir a máscara da Canário, mas é o que vai acontecer a partir da segunda metade da série.


Apesar das participações especiais e da ação que envolve mais o personagem Roy Harper, (Colton Haynes) apelidado agora de Arsenal (ainda bem que não foi “Ricardito”!!), da citação ao Irmão-Olho, que na série é um cyberativista e ex-namorado de Felicity enquanto nas HQs esse nome é dado ao supercomputador criado pelo Batman, e do combate entre Arsenal, Arqueiro e o Capitão Bumerangue (Digger Harkness, vivido pelo ator Nick Tarabay), clássico inimigo do Flash, a primeira parte da terceira temporada meio que cambaleou até o fim, e apresentou um mid-season finale muito foda, desses de deixar qualquer fã de quadrinhos estupefato. 


Após o combate de honra entre Oliver e Ra’s Al Ghul, e a MORTE de Oliver, muitas especulações já surgiram nos fóruns de bate-papo, e os mais óbvios citam, claro, o Poço de Lázaro, que o Cabeça de Demônio utiliza para manter sua imortalidade, bem como sua forma saudável. As perguntas são: Quem irá ressuscitar Oliver e Por que? Como ele retornará para Starling, como ele mesmo ou com a mente controlada por alguém? E como Starling vai se virar SEM seu maior vigilante?


Confesso que fiquei bem ansioso para continuar acompanhando a série, que a meu ver, apesar das estreias de The Flash e Gotham, continua sendo minha série da atualidade preferida.

Por enquanto, nota 8!

PS.: O quase romance entre Felicity e Oliver no começo da temporada deixou os espectadores mais românticos em estado de graça.

PS. 2: Mas o affair dela com o Ray jogou um balde de água fria em nossas cabeças!

PS. 3: O que dizer então do affair rápido dela com Barry Allen???

PS. 4: Eu quero uma Felicity pra mim! 



NAMASTE! 

24 de dezembro de 2014

Review - A Batalha dos Cinco Exércitos


A trilogia O Senhor dos Anéis é hoje um clássico que muitos consideram intocável, num nível O Poderoso Chefão, Táxi Driver e a Trilogia De Volta para o Futuro. As comparações de O Hobbit com os três primeiros filmes que visitaram a Terra Média, criação de J.R.R Tolkien lá na longínqua década de 30, hoje também são inevitáveis, e de comparações para chiliques de fãs e haters é um pulo. Como já disse aqui algumas vezes, eu comecei a assistir os filmes de o Senhor dos Anéis por puro acaso (um acaso chamado Liv Tyler), por isso nunca os vi na tela grande do cinema, erro que resolvi corrigir quando soube que o diretor Peter Jackson tinha planos para levar o diminuto livro O Hobbit para as telas, e pasmem, dividido em três filmes

Peter Jackson e o elenco de O Hobbit

Seja pelos efeitos visuais modernizados (garantidos pela distância de quase 10 anos entre o fim de O Retorno do Rei e Uma Jornada Inesperada), pelo carisma do personagem Bilbo interpretado agora por Martin Freeman, seja pelo clima levemente mais aventureiro ou pela pura e simples nostalgia, eu gostei muito da trilogia O Hobbit, e não enxergo todos esses problemas com que os críticos resolveram atacar os filmes. Mas já é hora de visitar a Terra Média pela última vez e ver, afinal, se essa nova aventura valeu ou não a pena! Vamos ao review


A Batalha dos Cinco Exércitos começa exatamente do ponto onde A Desolação de Smaug terminou, com o dragão voando emputecido da Montanha de Erebor, lar dos anões, para desgraçar a vida da Cidade dos Lagos. Expulso do local que ele dominou por eras, Smaug (com voz cavernosa do novo Doutor Estranho Benedict Cumberbatch)  decide se vingar dos anões liderados por Thorin, Escudo de Carvalho (Richard Armitage), acabando com os homens, que indefesos, nada podem fazer para deter a fúria do monstro. Do alto da montanha, Thorin e seus amigos apenas observam o voo da criatura e a cidade começar a arder em chamas, mas para o anão, nada mais importa, o que ele tanto almejava no começo de sua jornada foi conquistado: O castelo e toda a riqueza nele guardada. 


Na cidade, enquanto os anões Kili (Aidan Turner) e Fili (Dean O'Gorman), junto com a elfa Tauriel (Evangeline Lilly), acompanhada de perto por Legolas (Orlando Bloom), nada mais podem fazer a não ser fugir dali e conduzir o máximo de pessoas com eles, cabe a Bard (Luke Evans) escapar de sua prisão e correr em auxílio de sua família, que em meio aos ataques de Smaug estão prestes a morrer diante da fúria do dragão. Mesmo pra quem nunca leu uma página sequer de O Hobbit (incluindo aí eu mesmo!) o que vem a seguir é tão previsível que nem nos damos ao trabalho de ficarmos apreensivos, já que sendo Bard um arqueiro, é óbvio que ele vai atingir Smaug exatamente em sua área vulnerável, aquela que não é protegida por sua carapaça, e matar a criatura

Bard, o bravo

Com a derrota de Smaug, a notícia de que um Castelo no alto da Montanha recheado de riquezas está desguarnecido atrai mais gente do que as contas da Petrobrás, e é aí que o subtítulo do filme começa a fazer sentido: A batalha vai começar. 

Apesar de serem filmes divertidos e bem aventureiros, não dá pra dizer que os dois primeiros O Hobbit sejam ricos em grandiosas cenas de batalha, ou mesmo que tenham cenas de ação memoráveis, exceto talvez, a famosa cena das corredeiras em A Desolação de Smaug, mas A Batalha dos Cinco Exércitos compensa esse desequilíbrio muito bem, em uma sequência de quase quarenta minutos de pura pancadaria, ao melhor estilo Peter Jackson. Quando Orcs comandados pelo maléfico Azog e seu filho Bolg se dirigem para os pés de Erebor, a fim de completar sua missão de destruir os anões, eles encontram um grupo de homens liderados por Bard, que estão ali desesperados por um pouco de ouro, agora que sua cidade está destruída, e também o exército de elfos, sob o comando de Thranduil (Lee Pace).   

Thranduil, a Diva!

O motivo da batalha parece fútil... Quer dizer... Parece não, o motivo é fútil pra caralho! É tipo um roteiro de uma brincadeira de criança que junta um monte de bonequinhos sobre a cama e tem que arrumar algum motivo para que todos caiam na porrada. Eu fazia muito isso quando brincava com meus "hominhos", e olhe que na maioria das vezes eu bolava roteiros bem melhores para que meus heróis saíssem no braço com meus vilões!

Azog organizou a roconha e fez todo mundo dançar!

Seja como for, visualmente a pancadaria é bem interessante. Embora muita gente acuse o filme de infantilóide há bastante cenas violentas de decapitações, empalamento (incluindo aí TRÊS anões) e esmagamento, e tudo é mostrado de forma bem didática, sem esguichar uma gota de sangue sequer na sua cara dentro da imersão 3D. Praticamente todo personagem principal tem uma cena de ação que se destaca dentro dos tais quarenta minutos de treta, e embora pareça um tempo muito extenso de luta, Jackson consegue equilibrar bem os momentos de tensão com os de emoção. As batalhas entre Bolg e Kili, Bolg e Tauriel e depois Legolas e Bolg são de tirar o fôlego, e diferente do que estamos acostumados, não há qualquer espaço para gentilezas, honrarias ou mesmo clemência. A bela Tauriel toma porrada na cara enquanto tenta salvar seu amor anão (tá... isso continua soando ridículo!) e não falta emoção quando esse embate chega ao fim, cabendo ao valente (e super mega hiper foda) Legolas salvar o dia e vencer Bolg. 

Legolas, o Foda!

Aliás, cabe aqui ressaltar o quanto o personagem de Orlando Bloom foi maximizado nesse filme, já que ele nem aparece na história original do livro! Jackson faz praticamente uma declaração de amor ao personagem, o colocando como o elfo mais badass motafucker de Valfenda, em cenas de ação muito bem realizadas e com saídas espetaculares, como matar um Troll para que ele desse uma cabeçada numa torre para que ela derrubasse Bolg, salvando assim Tauriel. Sacada de mestre!


Você achou a sequência final emocionante, Rodman?


Devo confessar que meus dutos lacrimais foram estimulados perto da conclusão da batalha, e a trilha sonora, que pela primeira vez nesses três filmes serviu para conduzir a cena, fizeram um belíssimo serviço para que a emoção tomasse conta desse ser. Como sempre, estava bem acompanhado no cinema, e minha namorada também se viu com lágrimas a escorrer dos olhos por trás dos óculos 3D quando enfim, chegamos a conclusão que aquela era possivelmente nossa última visita à Terra Média, e que estávamos nos despedindo, mais uma vez, de nossos personagens preferidos daquela saga incrível.


O filme tem erros? Claro que tem. Ele é longo demais, a punhetação sobre a avareza de Thorin quando ele se dá conta de que toda a riqueza dos anões agora é sua, incomoda bastante (sim! temos vontade de dar três tapas na cara desse babaca e fazê-lo acordar pra vida!), a cena do ataque do "jovem" Sauron a Gandalf (Sir Ian McKellen) é desnecessária, embora sirva para demonstrar toda a magnitude dos poderes de Galadriel (Cate Blanchett), que manda Sauron pro limbo (de onde ele retorna logo no começo de A Sociedade do Anel) praticamente sozinha, enquanto Elrond (Hugo Weaving) a ajuda com os demais nazguls que atacam Gandalf e Saruman (Christopher Lee). A cena é grandiosa, mas desnecessária, já que nada disso acontece no livro O Hobbit


Mas quem liga? Ficamos mijados de medo da Galadriel, e isso que importa!


É fato que um livro de pouco mais de trezentas páginas jamais conseguiria render material para três filmes, por isso, Peter Jackson e seus roteiristas tiveram que absorver bastante coisas dos contos inacabados de Tolkien, assim como do livro Silmarillion para fazer seus filmes da nova trilogia. Para muitos fãs xiitas, essa mistura pode ser considerada uma heresia com a obra de Tolkien, mas duvido que importe pra grande maioria do público leigo ou mesmo para aqueles que sabem diferenciar a obra original de ADAPTAÇÕES. Pelo mesmo sentido da palavra, já dá pra entender que as vezes certas mudanças são necessárias para atender um público diferente e mais amplo, e esse tipo de coisa acontece o tempo todo quando livros se tornam filmes, jogos se tornam séries, quadrinhos se tornam livros e assim por diante. O importante é agradar o maior número de pessoas, o que imagino eu, o filme que bate a marca de US$ 355 Milhões de arrecadação após duas semanas de exibição tenha feito.


Despedidas costumam ser melancólicas (lembro até hoje de minhas lágrimas quando aquele barco partiu levando um idoso Bilbo para a eternidade ao final de O Retorno do Rei), e embora saibamos que tirar leite de pedra virou especialidade de Peter Jackson e que a qualquer momento ele possa nos presentear com uma nova trilogia de Silmarillion ou dos Contos Inacabados, A Batalha dos Cinco Exércitos teve um gostinho de ponto final, fechando bem uma controversa trilogia que a meu ver funcionou quase como um complemento luxuoso de O Senhor dos Anéis, embora sem o mesmo brilho, garbo e elegância que a obra original. A meu ver, valeu cada centavo do ingresso, e não me importaria de ter o box com os três filmes guardados em minha estante.



NOTA: 9

Ps.: A sessão em que assisti o filme teve altos barracos por conta de uma espectadora que curiosamente sentou-se na mesma fileira que eu e que, digamos assim, se empolgou um pouco durante todo o filme, soltando uns UHUUUUU!, É ISSO AÍ!! em meio as cenas mais intensas. Confesso que já me empolguei vendo filmes, Vingadores, por exemplo, mas nunca a ponto de incomodar os demais espectadores da sala. Nunca esqueça seu vidro de SIMANCOL antes de sair de casa para uma sessão de cinema, galera. O cinema é público e todo mundo tem o direito de assistir o filme em paz. 

Essa situação me lembrou essa cena, HEHEHEHE:



NAMASTE!    
  

1 de dezembro de 2014

Homenagem do Rodman - Adeus, Chaves!

“Os covardes morrem várias vezes antes da sua morte, mas o homem corajoso experimenta a morte apenas uma vez.” 

(WILLIAM SHAKESPEARE)

Eu me lembro que desde criança a morte sempre me impressionou. O ano de 1994, por exemplo, foi muito forte nesse sentido. No cinema, eu vi de perto a morte do Mufasa, em O Rei Leão, nos quadrinhos foi a vez da Morte do Superman e na vida real o Brasil ficou de luto pela morte trágica de Ayrton Senna, piloto que de tão talentoso, até hoje (20 anos depois!) ainda não apareceu ninguém com 10% de sua raça nas pistas.

Devido problemas pessoais, finais de relacionamento e fracassos profissionais eu já pensei em abraçar a morte por algumas vezes, já pensei em encerrar esse ciclo de tragédias e erros de uma forma abrupta, mas admito que não entendo a morte, nem tampouco a aceito. Como poderia então abraçá-la?


Em Novembro de 2014 mais um grande ídolo da TV nos deixou, elevando aquele pensamento estranho que nos arrebata todas as vezes que alguém muito importante se vai: Por que tinha que ser assim?

Roberto Bolaños, também conhecido como Chespirito no México, seu país de origem, e o eterno Chaves para os brasileiros, faleceu no dia 28 de Novembro em decorrência de problemas respiratórios agravados pelo uso constante do cigarro ao longo da vida. Com a saúde já bem frágil há algum tempo devido a idade avançada, não eram raros os boatos pela Internet de que ele havia morrido mesmo quando isso não acontecia, e a frase “o Chaves morreu” meio que se tornou uma constante nos últimos anos, embora ela não nos tenha preparado de fato para a notícia verdadeira.


Como toda criança brasileira, imagino eu, esse quem vos escreve também foi um fã do seriado Chaves, e aprendeu a amar o personagem ao longo de tantos anos de reprises ininterruptas do canal SBT, do Seu Silvio Santos. Assim como você que está lendo essas mal traçadas linhas, eu também chorei quando o pessoal da Vila acusou o Chaves de ladrão, também me assustei ao invadir a casa da Bruxa do 71 e descobrir que ela, enfim, não era uma bruxa de verdade e eu também aproveitei as férias em Acapulco. Tantos episódios inesquecíveis, tantas frases marcantes que falo até hoje (quem nunca soltou o “Já chegou o Disco Voador” quando o chefe adentrou o ambiente?) e tantos personagens engraçados que fazem e farão parte de nossas vidas para sempre, tudo magistralmente criado por uma pessoa que tinha uma visão específica do lado humano: A de que a felicidade está nas coisas simples. Como não idolatrar esse pequeno gênio mexicano que com um talento inigualável fez com pessoas do outro lado do mundo o reverenciassem por causa de um humor ingênuo e extremamente inteligente contido nos textos de Chaves e Chapolin?


O título “Chespirito” atribuído a Bolaños é justíssimo, uma vez que significa “Shakespearito”, ou pequeno Shakespeare, criando uma alusão a criatividade inventiva desse engenheiro mexicano que jamais exerceu a profissão onde se formou para se dedicar totalmente à televisão e consequentemente ao humor. Se hoje, crescidos, alguns de nós achamos os episódios de Chaves bobos e ingênuos demais em comparação ao novo humor mais apelativo, agressivo e recheado de palavrões que permeia a mídia em geral, temos que aplaudir de pé o talento de Bolaños em criar personagens e histórias tão cativantes que criaram elos entre gerações. 


Se sua mãe, seu pai, sua tia e seus filhos e sobrinhos gostam igualmente do menino pobre do nº 8 que adora sanduíche de presunto, isso não é por acaso. Não é qualquer personagem que se torna capaz de encantar tanto públicos diferentes ao mesmo tempo como os que ele criou, e isso denota sim traços de genialidade. Eu sei que todo mundo já viu episódios de Chaves e Chapolin o suficiente para uma vida toda, mas pare agora para assistir 5 minutos que seja de qualquer um deles e resista ao teste de não dar sequer um sorriso com o canto da boca.

Vai lá. EU TE DESAFIO!


Chaves, Quico, Chiquinha, Seu Madruga, Dona Florinda, Professor Girafales, Senhor Barriga, Nhonho, Dona Clotilde e tantos outros já se tornaram imortais. Enquanto seus intérpretes envelhecem e morrem, graças a essa lei irrevogável da natureza que nos leva a todos para esse caminho irrefreável, seus personagens são eternos e viverão em nossas mentes para sempre, assim como uma boa música, um bom filme e um bom livro. A arte é imortal, e enquanto choramos a perda desse ídolo de nossa infância, mais um que se vai, deixando-nos esse peso e esse corte em nossos corações, temos o acalanto de saber que, a hora que quisermos, o Chaves estará lá para nos fazer rir, gargalhar, chorar e nos emocionar, e isso com certeza, não vai ser sem querer querendo.


Enquanto você descansa em paz, Chespirito, talvez nós consigamos responder a pergunta que não quer calar: E agora, quem poderá nos defender?

NAMASTE ;’(


PS.: Esse quem vos escreve termina esse texto em lágrimas... PI PI PI PI PI PI!


16 de novembro de 2014

Do Fundo do Baú - O Batman de '89


“Ei, garoto! Já dançou com o demônio à luz da Lua?”

Eu devia ter uns sete ou oito anos quando eu dancei com o demônio à luz da Lua pela primeira vez, e de lá pra cá, apesar de muuuuuuito tempo ter se passado, eu ainda tenho Batman, o filme dirigido por Tim Burton em 1989, como um dos meus preferidos, não só no ranking de filmes do Homem Morcego orelhudo da DC, mas como de todos os filmes de super-heróis de meu ranking pessoal.

Aiinn, Rodman! Mas o Batman não é um super-herói. Ele não tem poderes. Ele é um vigilante!

Ele usa uniforme? Tem máscara? Tem uma identidade secreta? Já usou cueca por sobre as calças?

ENTÃO ELE É UM SUPER-HERÓI, PORRA!


No início dos anos 90 eu era um pirralho piolhento magrelo e com cabelo black power (pois é! Acreditem!) que vivia num mundo de fantasias alimentado por revistas em quadrinhos e por desenhos animados de ação como Superamigos, He-Man, Thundercats e afins. Numa ou outra sessão de reprises, também assistia o seriado dos anos 60 do Batman (ou Bátema, para os íntimos) e pra falar a verdade, não conhecia outro Homem Morcego senão aquele meio barrigudinho interpretado magistralmente (ou de forma bem canastra!) por Adam West. Na época do lançamento do primeiro filme do Batman, eu nem sonhava em ir a cinema, e me contentava a esperar, sem grandes expectativas, que a Globo anunciasse seu pacotão de filmes para o começo do ano.


Não exijam de mim que eu lembre o ano exato em que a TV do plim-plim (Aff! Essa é velha!) passou Batman pela primeira vez na Tela Quente, mas com certeza eu estava lá pra assistir, e tirando os filmes do Super-Homem que volta e meia passavam em alguma Sessão da Tarde da vida, me lembro que foi o primeiro filme com heróis dos quadrinhos que me impactou verdadeiramente. As razões disso são óbvias: O visual fodaçaralho que o maluco do Tim Burton criou não só para o Batman, como também para tudo que envolve o personagem, desde seus equipamentos (“Onde é que ele arranja esses brinquedos?”) até a cidade de Gotham City.


Vocês já devem ter lido aqui no Blog do Rodman uma ou duas críticas minhas ao supracitado diretor de cabelos arrepiados e estilão gótico. Sim, eu realmente tenho certa animosidade a essa cisma que Burton tem pelo Johnny Depp bizarro, e acho que todos seus filmes acabaram se tornando muito repetitivos com o tempo. 


Eu gosto de Edward Mãos de Tesoura, Os Fantasmas se Divertem, de Marte Ataca! e olhe lá! Seja como for, Tim Burton fez um grande favor ao Homem Morcego quando, ao se aproveitar do clima sombrio que o personagem havia recuperado com a Graphic Novel The Dark Knight Returns de Frank Miller, ele conseguiu recriar a imagem do VERDADEIRO Batman, aquele que se mescla nas sombras e que faz os bandidos se borrarem todos só de ouvirem falar dele. Essa era a gênese do personagem criado por Bob Kane75 anos, e ele havia perdido essa aura de terror incutida em seu ser para virar uma piada reforçada pela série dos anos 60, que me perdoem os fãs, era uma galhofa sem tamanho!


Aiiinn, Rodman! O seriado era muito bom pra época e eu adoro a Feira da Fruta!

Não me entendam mal. Eu gostava da série dos anos 60. Não que eu estivesse lá pra ver na época, mas eu me divertia com as reprises que passavam no SBT (salvo engano) porque naquele final de anos 80, era tudo que tínhamos relacionado a heróis passando na TV. Quando Batman surgiu nos cinemas, no entanto, percebemos pela primeira vez, como aquele Batman azul e cinza e meio roliço era patético, e como o Batman de roupa preta, símbolo brilhante no peito e cheio das traquitanas tecnológicas era muito mais fodão!


O filme de Tim Burton não só apresentava uma versão muito melhor do Homem Morcego para as novas e velhas gerações, como também já chegou chutando bundas no mundo das superproduções. Com um orçamento milionário (35 Milhões de Doletas!), e um elenco quase estelar na época, a Warner apostou alto na revitalização do personagem, fazendo uma campanha publicitária de dar inveja a George Lucas, o criador da revolucionária saga Blockbuster Star Wars


O último Super-Homem (“Em Busca da Paz” de 1987) havia sido um fracasso retumbante para as expectativas e também para o estúdio mequetrefe que o bancou, e de forma melancólica o maior herói dos quadrinhos se despedia dos cinemas apenas para ser quase que totalmente ofuscado pelo filme de Tim Burton dois anos depois. O investimento milionário e a campanha maciça de marketing havia dado resultado, e Batman foi um sucesso estrondoso nos cinemas, o que ajudou a recolocar o personagem nos trilhos, deixando pra trás aquele tom de comédia pastelão que o permeava desde Adam West e seu menino-prodígio Burt Ward.

Santa bilheteria, Batman!


Com uma receita de mais de 400 Milhões de Dólares rendida aos cofres da Warner, Batman foi um sucesso incontestável, e se hoje os mimizentos e pela-sacos de Christopher Nolan só conseguem enxergar os problemas técnicos e a estatura ínfima de Michael Keaton vestido de Morcegão, o que fica de mais importante é o legado que o filme deixou para as décadas seguintes. Contem comigo:

O filme inspirou a MELHOR SÉRIE animada que o Bátema já teve em todos esses anos;

A trilha sonora de Danny Elfman é até hoje a principal marca do personagem, mesmo vinte e cinco anos depois;

O Batman de roupa escura (em vez da azul e cinza das HQs) foi usado como referência para praticamente TODOS os filmes que se seguiram, mesmo nas mãos de outros diretores. Até o Nolan usou;


O Batmóvel criado por Tim Burton continuou sendo usado, com certas variações, até o quarto (e mais lamentável) filme, e recebeu versões também na série animada e nos quadrinhos, assim como a Batwing em formato de morcego, que eu nunca tinha visto antes do filme;


O Batman planando de asas abertas virou mania depois que isso foi apresentado no primeiro filme;


Porra! Se isso não é deixar um legado, o que é então?

Se olhado com atenção nos dias atuais, num universo em que qualquer filme mequetrefe acha que se segura apenas apoiado nas muletas dos efeitos digitais de ponta, Batman funciona muito bem apenas com seus efeitos práticos, sem a necessidade de grandes pirotecnias computadorizadas. O roteiro, escrito por Sam Hamm e Warren Skaaren, chega a ser ingênuo de tão simples, mas são mesmo os personagens que conseguem segurar o filme, com diálogos marcantes, frases que grudam feito chiclete na cabeça e com atuações muito seguras.

Atuações

É fato “venéreo” que o Coringa é o maior adversário do Batman nos quadrinhos, e seria impossível não dar-lhe moral logo de cara no primeiro filme do Homem Morcego, colocando-o para bater de frente com o dono de Gotham. Sempre foi dito que o Palhaço é a antítese exata do Batman, adversário mais do que físico, e a escolha de Jack Nicholson para o papel foi um dos grandes acertos de Tim Burton, uma vez que o ator, que na época JÁ ERA veterano, com papeis fabulosos nas costas como o pirado Jack Torrance de O Iluminado e tendo ganhado, inclusive um Oscar por sua atuação em Um Estranho no Ninho, acabou roubando o filme com sua atuação magistral do Coringa. 


 Há quem diga que Jack Nicholson tenha se baseado no Coringa da série dos anos 60, interpretado pelo hilário César Romero, e que por isso, criou um personagem caricato demais, mas tendo em vista o que o Coringa sempre representou nas HQs, é possível ver uma excelente representação dele na tela, embora eu duvide que Nicholson tenha sequer segurado algum exemplar das HQs do Batman em mãos para compor seu papel.


 Seu Coringa é o que o personagem representava nos quadrinhos, um agente do caos a serviço de si próprio e que além de tocar o terror, SE DIVERTE com isso. No começo do filme ele é Jack Napier, um gângster que acha que tem nas mãos o chefão do crime de Gotham, mas que abusa de sua sorte e que acaba sendo traído por esse mesmo chefão. Quando ele cai na armadilha, é cercado não só pela polícia, mas também pelo próprio Homem Morcego, que acaba sendo o responsável direto pelo acidente que deforma seu rosto.

Aiiin, Rodman! Nem é assim que acontece nos quadrinhos e mimimimi!


Na Graphic Novel A Piada Mortal, escrita por Alan Moore, o Coringa é, na verdade, um comediante falido que acaba sendo levado a cometer alguns crimes, oculto pela identidade de O Capuz Vermelho, para sustentar sua família. Num desses grandes assaltos, o Batman aparece e acontece exatamente a mesma coisa que acontece no filme: ele cai no ácido, sua cara fica deformada e ele decide se tornar o Coringa. Só que não existe Jack Napier e nem chefão do crime. Hoje em dia com o Reboot da DC, nem faço ideia de como é a origem do Palhaço, o Bobo, O Joker, O Bobo, mas na antiga cronologia foi assim que aconteceu.


Seja como for, Jack Nicholson interpreta um dos melhores Coringas do cinema, e que tem mais a ver com os quadrinhos do que o que Heath Ledger fez anos mais tarde, embora ambas tenham sido atuações dignas de nota. O Coringa de 1989 é perigoso, é louco, mas é extremamente engraçado, algo que faltou na época de O Cavaleiro das Trevas de Cristopher Nolan. A cena em que ele se apresenta para os chefões criminosos de Gotham e termina eletrocutando um deles com um aperto de mão é sensacional. Não bastando ter torrado o sujeito, o Coringa ainda dialoga com ele depois de morto. Genial!


Michael Keaton seria de longe a última opção a ser escolhida caso alguém me pedisse para elencar um ator que serviria para interpretar Bruce Wayne, o alter-ego do Batman. Me digam como um nanico daqueles conseguiria impor respeito ou causar pavor na bandidagem sórdida da cidade mais corrupta dos Estados Unidos? Mas não é que ele conseguiu!!


Tudo bem que para mim na época em que Batman passava na TV esse era um detalhe que nunca me incomodou, até porque pra mim, pouco me importava quem era Bruce Wayne, o que me interessava era ver o Batman, e ele era muito maneiro com aquele visual criado por Tim Burton!

Em que mundo alguém chama o mesmo ator que interpretou o Beetlejuice para ser o Batman?


Talvez para Tim Burton isso faça algum sentido, mas para a maioria das pessoas, parece ser uma ideia insana. Revendo o filme, tentando afastar o preconceito de que o Batman é um baixinho de um metro e meio, comecei a prestar a atenção na atuação de Michael Keaton, e ela não deixa nada a dever. E olhe que ele estava encarando Jack Nicholson em cena!


Seu Bruce Wayne é soturno na medida certa, se mostra torturado pelo crime que mudou sua vida ainda na infância, mas ainda consegue ser um sujeito divertido quando quer. A cena em que ele dá uma trolada em Vicki Vale e em seu parceiro Knox chegando de surpresa em sua sala de “troféus” deixa isso muito claro. Não há dúvida sobre a sexualidade de Wayne nesse filme (e na verdade em nenhum dos filmes dirigidos por Tim Burton, já que em um ele pega a Kim Basinger e no outro a Michel Pfeiffer!), e ao se interessar pela fotógrafa Vicki Vale ele vai fundo na conquista, não sossegando até tê-la em sua cama. Quando ele começa a se afastar dela, não é porque ele se “cansou daquela rachada hor-ro-ro-saaa”, mas sim porque tem medo de trazê-la para sua vida cheia de traumas e cismas. Algo típico do Batman.


O nome de Keaton aparece depois do de Jack Nicholson no pôster oficial do filme, até mesmo pelo peso artístico que cada um tem, e se podemos considerar Batman de Tim Burton um filme mais do Coringa do que do próprio Homem Morcego, quando é requisitado, Michael Keaton não faz feio. Ele tem cenas muito boas, e sua expressão de tensão quando ele percebe que o Coringa é o assassino de seus pais (!!) fala por si só em uma cena que não contém qualquer diálogo.


Uma vez elenquei aqui um Top 10 com meus amores de Hollywood, e ela estava lá por razões óbvias. Na década de 90 Kim Basinger estava ainda no auge de sua beleza, e ela era uma escolha quase que certa para interpretar a fotógrafa Vicki Vale, que nos quadrinhos, pelo que me lembro, nunca teve uma personalidade muito bem definida. Sem abusar de sua sensualidade latente, mas servindo como um interesse romântico para Bruce Wayne da melhor qualidade, e uma mocinha em perigo que herói nenhum se recusaria em salvar, Kim está inesquecível em seu papel, que apesar de não exigir nenhum rompante dramático e/ou artístico de sua parte, funciona bastante para a proposta do filme de Tim Burton.


Em Gotham devido seu interesse incomum por morcegos (!) Vicki se vê interessada pelo Homem Morcego que, dizem, ronda as noites da cidade sombria. Ao mesmo tempo ela acaba se envolvendo com o bilionário Bruce Wayne, sem saber de início que ele e Batman são a mesma pessoa. Procurando mergulhar fundo na psique abalada de seu amante, Vicki descobre que os traumas sofridos por ele na infância o fizeram se transformar no homem duro e psicótico que ela conheceu, e entende completamente a razão de existir um Batman. 


O papel de Kim é burocrático, mas sua beleza na época contribuiu bastante para o visual do filme, num cenário que exigia uma bela mulher desfilando por lá. E cá entre nós, ver o Batman e o Coringa saindo no tapa por causa dela foi engraçado!


Batman ainda conta com Michael Gough como o fiel mordomo Alfred (lembrando bastante o Alfred mais velhinho da série dos anos 60), Pat Hingle como o Comissário Gordon (bem diferente da sua versão dos quadrinhos) e Billy Dee Williams, o Lando Calrissian da Trilogia Star Wars Clássica como Harvey Dent (!), o promotor, que no filme nem é citado como tal, que mais tarde se torna o Duas Caras


Obviamente Joel Schumacher, o diretor de Batman Forever, ignorou completamente o fato de Harvey Dent ter aparecido na pele de um ator negro nos dois primeiros filmes e escalou o mal encarado Tommy Lee Jones para encarnar o promotor em seu filme.  Se o elenco para os personagens coadjuvantes de Burton parece meio discrepante com relação a suas características básicas provenientes dos quadrinhos, pelo menos tivemos a ótima atuação de Jack Nicholson como Coringa, que vale como um todo para quem gosta do bom e velho Coringa de várzea.


O Batman de 1989 inspirou muita coisa tanto no cinema quanto nos próprios quadrinhos, e muita gente assim como eu, deve ter crescido com a figura do morcego criada por Tim Burton na cabeça muito mais nítida do que a série dos anos 60 fez para a geração anterior. 


Eu via minha mãe comentando “Nossa! Pra que essas orelhas tão grandes no Batman?”, obviamente levando em consideração o visual com orelhas curtas usado por Adam West a qual ela estava acostumada, e o visual sombrio do filme deve ter incomodado muita gente que esperava aquela coisa mais colorida da série, algo que Joel Schumacher homenageou com excelência nas duas terríveis sequências após a saída de Burton da direção dos filmes.


O traje do Batman de 89 é a meu ver o melhor de todos que já vimos no cinema, até porque  ele é preto, o que seria o mais indicado para um cara que quer surpreender a bandidagem à noite, ele é uma mescla perfeita de armadura e uniforme e tem uma máscara assustadora, que deve dar um cagaço em qualquer um que a fite mesmo que de relance.


As traquitanas usadas pelo herói no filme também revolucionaram a forma como o personagem passou a agir nos quadrinhos. Na década de 70 estávamos acostumados a ver o Morcego arremessando cordas com um batarangue amarrado na ponta para escalar prédios, e de repente vemos o cara com um mini-arpéu de bolso disparando ganchos no filme.

E o Batmóvel?

Putaquepariu!


Até hoje é meu carro preferido do Batman (até elenquei ele aqui como umas das super-máquinas do cinema), e embora seu design só permita que ele ande em pistas planas de tão rebaixado, e que lombadas e quebra-molas em Gotham fariam com que o assoalho do carro ficasse para trás, é indiscutível a imponência que aquele carro causa com aquela turbina na parte traseira e o ronco de seu motor potente. E isso porque nem citei o cockpit e a blindagem que nos fez pensar porque diabos o Batman e o Robin dos anos 60 andavam por aí num Batmóvel sem capota!!


Batman marcou toda uma geração que passou a admirar o Batman por seus feitos heroicos e por seu visual assustador, e se hoje o personagem completa 75 anos, nada melhor do que comemorar essa data querida comentando sobre um elemento que certamente foi um divisor de águas na cronologia dele, pelo menos nos cinemas.



NAMASTE! 

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